quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A curtição do avacalho (nacional)
Direção: Peter Baiestorf
Duração:
160 minutos



O diretor deste filme é um batalhador do cinema underground nacional, fez cerca de 10 longas metragens e dezenas de curtas e médias-metragens, ele mora numa cidade do interior de Santa Catarina, chamada Palmitos e certamente é o maior representante do cinema thrash da américa latina, resolvi falar do "A curtição do Avacalho", porque é um dos últimos e melhores longas feitos por ele.

O DVD já mostra toda a irreverência e crítica de Baiestorf ao cinema comercial, antes de começar o filme, já temos surpresas na interface do DVD e na capa, onde diz que as cenas subliminares não estão por acaso no filme.

Acredito que neste filme tenhamos dois personagens principais, um padre que quer ressuscitar jesus cristo e um cientista que ajudará o padre a ressuscitar jesus, o padre recruta um bêbado latino para começarem a juntar fluídos humanos para a experiência de criar um Frankenstein de jesus.

Temos muitas homenagens e tirações de sarro de filmes cults e conhecidos, têm cenas desconexas onde o diretor aparece no filme e o ensaio dos atores com o "roteiro" na mão.
Aqui não é filme para você gostar como arte, apesar de ser tratar de uma forma de arte, quebrar os padrões e os conceitos pré-estabelecidos por uma massa esmagadora de fazedores de filmes, este filme quer chocar o espectador comum e muito mais aqueles que seguem padrões e ficam "pagando um pau" para diretores com Spielberg, George Lucas, Tarantino, dentre outros figurões de Hollywood, não que os filmes destes diretores sejam ruins, inclusive George Lucas é independente hoje em dia, enfim o filme não é mais do que uma crítica ao próprio modo com o cinema vem sendo feito.

Gosto de cenas "gore/splatter" que ele usa em seus filmes, apesar de você perceber facilmente os truques usados em seus filmes, também tem os erros de continuação propositais, como a troca de um objeto de mão, ou até mesmo da troca de uma cuia de chimarrão por uma caneca e depois por um bule, baiestorf adora colocar mulheres gostosas em seus filmes, mesmo não conseguindo musas como Lynch e Tarantino e até que arruma umas loucas para participarem de suas demências em forma de vídeo.

Não tem muito o que falar do filme, porque eu estragaria o melhor do filme, que é ele por inteiro, o despertar da besta, jesus, é ótimo, a discussão entre o cientista e o padre é fenomenal, a cena de nudez masculina que sempre choca, eles rindo dos idiotas que estão assistindo esta porcaria é genial, e eles comendo DVD originais de filmes blockbuster, entre eles lembro de Stuart Little sendo despedaçado, são cenas antológicas que merecem ser vistas por qualquer cinéfilo.

Baiestorf deveria ser estudado nestas escolas de cinema, assim como Mojica e Glauber Rocha, temos um potencial agressivo contra o modo de viver da sociedade e como ela enxerga seu modo de entretenimento que é o cinema, baiestorf é uma lenda viva do cinema independente "thrash" nacional.

Confiram mais esta incrível obra, entrem no link boêmios da cultura e descubra como adquirir uma cópia, desta obra.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sobre o Oscar

A maior premiação do cinema feito em Hollywood, desta vez premiou filmes que eu não tinha idéia que pudessem ser premiados, eles sempre priorizam estórias de guerra e filmes de diretores americanos, eu achei justa as premiações, "Os fracos não tem vez" dos irmãos Coen, é um filme muito legal e extremamente violento, gostei do filme, Juno outro dos concorrentes que eu tive a oportunidade de assistir é um bom filme, e o roteiro realmente é impressionante, ótimos personagens e diálogos, fico feliz que a roteiras que se chama Diablo tenha ganhada o prêmio, apesar das conspirações de que tudo é combinado e que os prêmios são comprados, é uma festa legal, que elege os melhores filmes feitos pela principal indústria de cinema do mundo.

Fiquei triste pelo Viggo Mortensen não ter ganho como melhor ator, já que sua atuação em Senhores do Crime (que deveria ter sido indicado como melhor filme e direção) é uma das mais impressionantes dos filmes que vi, não vi Sangue Negro ainda, mas acho que o Viggo merecia.

Bom, é uma festa comercial, mas a arte do cinema, acaba convendo os grandes executivos e hollywood parece estar melhorando em seus filmes.

Na próxima um filme nacional, do underground Petter Baiestorf.



Fevereiro 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O cheiro do ralo (nacional)
Direção: Heitor Dhalia
Duração:
112 minutos


Este é um dos melhores filmes nacionais já feitos, apesar de ter sido injustiçado pelos grandes meios de comunicação que não deram a importância devida ao filme, mais isso o torna melhor ainda, já que não caiu na graça do povo que sempre banaliza os filmes.


O cheiro do ralo, trata-se da história de Lourenço (Selton Melo), proprietário e comprador/vendedor de uma loja de produtos usados, que trata as pessoas com total desprezo, não pelo que são e sim pelo que elas querem vender.


Com o ralo de seu banheiro entupido e o cheiro impregnando em seu escritório ele vai se relacionando com seus clientes que lhe querem vender de tudo, entre um violinista que quer vender uma raridade e diz que o cheiro não vem do ralo e sim dele, uma drogada que vende de tudo, e diversos personagens bizarros e ao mesmo tempo intrigantes.

Lourenço se apaixona por uma garçonete, ou melhor dizendo pela bunda de uma garçonete, ele vai todos os dias a uma lanchonete que faz um péssimo lanche apenas para ver a Bunda, nome que ele dá para a garçonete.

Ele dispensa a esposa, não sabe o nome da empregada e fica vendo a Vaca de Rosa dando aulas de aeróbica na televisão e continua tratando todos com desdém.

O olho de vidro, ele compra um olho de vidro que vira seu terceiro olho, que seu antigo dono diz que já tinha visto tudo e ele manda a pérola, “...ele ainda não viu a Bunda...”, adoro os diálogos do livro que alguns foram colocados em sua integram quando adaptados do livro de mesmo título.
Ele leva o olho para ver tudo, ele vê as pessoas que vêm vender suas porcarias e objetos de valor sentimental, uma das melhores cenas é quando as pessoas dizem que o objeto tem muita história e quando as pessoas trazem objetos muito pesados e ele mesmo gostando do objeto mandar levar de voltar apenas para ver a pessoa sofrer.

O cheiro do ralo piora, ele não quer pagar caro para um pedreiro concertar, ele tenta entupir, encher de cimento e tudo mais, mais o cheiro só piora talvez o cheiro não seja do ralo, até o momento que ele consegue fechar o ralo totalmente e algumas coisas começam a mudar em sua vida.

Ele faz propostas para a Bunda, se envolve em encrencas, paga para ver mulheres nuas e compra não só os objetos, mas as pessoas também, ele começa a pirar e mostrar que nós vivemos pelo dinheiro e somente pelo dinheiro, é uma ótima metáfora.

Este filme é baseado no livro de Lourenço Mutarelli, que é um gênio moderno, se você não gostar do filme leia o livro, que você possível gostará, uma história que poucos conseguiriam imaginar com tanta perfeição, um quebra-cabeças incrível de um sujeito excêntrico e rico que quer comprar tudo, inclusive as pessoas, com personagens incríveis, jamais visto no cinema nacional.

Espero que os próximos livros de Mutarelli, sejam adaptados a altura de seus livros como “O CHEIRO DO RALO” e que façam filmes de qualidade para admirarmos e nos sentirmos felizes ao sairmos do cinema e acaba de sair o filme no DVD, imperdível.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Senhores do Crime (Eastern Promisses)
Direção: David Cronenberg
Duração: 100 minutos

Pra quem já conhece Cronenberg de seus outros filmes, como a mosca, videodrome, scanners, não vai se arrepender ao assistir este, aqui há sim uma evolução, Cronenberg vai além, numa história mais complexa, num suspense imperdível.

Ana (Naomi Watts) é uma parteira que num dia de trabalho, encontra um parto onde a mãe morre e sobra o bebê, não há parentes próximos da mãe que é russa e não tem parentes no país. Ela acha um diário escrito em Russo e leva para que o tio com quem mora traduza para ela, o tio não aceita traduzir de imediato, mas acaba aceitando a proposta.

Ela consegue um endereço e vai até um restaurante que ainda está fechado, um senhor a atende e deixa com que ela entre no restaurante, diz que no diário o nome do filho dele é citado várias vezes e faz com que ela lhe dê o diário.


Nicolai (Viggo Mortensen) dá uma carona há Ana que não consegue ir embora porque a sua moto não liga mais, com a chuva e por estar muito tarde ela acaba cedendo e aceita a carona. Eles conversam e neste momento vemos que Nicolai simpatiza com a linda e indefesa, porém determinada em encontrar a mãe da criança, Ana.



Nicolai pede para Ana se manter longe do restaurante e toda aquela gente, quando chega na frente do restaurante e vê o filho do dono, bêbado e que lhe ofende algumas vezes, Nicolai coloca ele para dentro e dá o conselho para Ana.


Ana começa a freqüentar o restaurante e Nicolai a adverte que aquele não é um bom local para se fazer amigos. Enquanto isso Nicolai vai cuidando dos negócios a sua maneira até que é traído pelo patrão e pelo filho do patrão que é seu amigo. Eles mandam matar Nicolai e é neste momento que vemos uma das cenas mais impressionantes do cinema, quando Nicolai está numa sauna para tratar de negócios e enganado e traído, ele luta nu contra dois assassinos, a cena é realmente violenta e faz com que tenha uma brutal, intrigante, inovadora e linda cena de ação, só está cena vale o filme muitos disseram, mas este é sempre um recurso de Cronenberg que quer deixar uma marca em seus filmes, como a explosão de uma cabeça em Scanners, o sexo com a televisão em Videodrome e assim por diante.

Nicolai foge e vai atrás dos "Judas" que o incriminaram, Ana descobre que o que tem no diário é muito agressivo e violento e tenta trocar o diário pela adoção do bebê, tudo isso se mistura e temos um desfecho violento e absurdamente impressionante quanto ao estilo visual e desfecho do suspense.

Quem gosta de filmes não deve perder este filme e o recomendo muito.